A maior das provocações dos EUA

A maior das provocações dos EUA

A escalada crescente da violência por parte dos Estados Unidos atingiu o pico na noite de quinta-feira (2) com o assassinato do general Qasem Suleimani e do general iraquiano Abu Mahdi Al Muhandis.

Por Valeria Rodríguez *

Desde 1979, os Estados Unidos procuram incansavelmente destruir o Irã para se tornar a área mais influente da Ásia continental, não conseguiram. Em 1980, financiaram o Iraque em uma corrida armamentista que culminou 8 anos depois com a vitória militar do Irã, que deixou claro que leva pelo menos 5000 anos de vantagem militar.

A partir daí, os Estados Unidos iniciaram uma batalha sem quartel na economia, através das sanções econômicas mantidas até hoje, somadas à busca constante de fragmentar a sociedade iraniana.

O general Suleimani foi uma peça-chave na disseminação da ideologia revolucionária e principalmente na montagem das milícias heterogêneas que compõem a resistência islâmica: curdos pashmerga e outros aliados, como o exército da Síria, Rússia, Turquia, entre outros, que lutam contra o terrorismo dos grupos Takfiris com financiamento norte-americano e saudita.

Cabe destacar que Hillary Clinton, em sua função de secretária de Estado, escreveu um livro em que ela concorda que os Estados Unidos financiaram o famoso ISIS e como ficou fora de controle.

Em 2015, após uma série de negociações entre o G5+1 (Estados Unidos, Rússia, França, Alemanha, Grã-Bretanha e China), foi assinado o famoso acordo nuclear que buscava suspender algumas sanções econômicas em troca da interrupção do enriquecimento de urânio por parte do Irã, mas que teve vida curta desde que, depois das eleições presidenciais nos Estados Unidos, Trump chegou e com ele houve a saída do acordo e a imposição de mais sanções.

Embora a guerra econômica tenha apertado um pouco a realidade iraniana, ela não foi interrompida desde que continuaram desde 1988 até o momento, desenvolvendo as indústrias e principalmente a corrida armamentista nas mãos da Rússia e da China.

Este último país está muito interessado na região, pois é essencial viabilizar a nova rota da seda que integraria com toda a região, mas para isso precisa fortalecer os laços dos diferentes países vizinhos com os quais contribuiu muito para melhorar as relações entre o Irã e o Iraque.

Por outro lado, além das sanções e do impulso dos grupos terroristas no norte do Iraque, perto do oleoduto de Korkuk, os Estados Unidos ajudaram o exército "rebelde" sírio a complicar a situação e, por coincidência, esses rebeldes acabaram apoiando o ISIS que terminou se disseminando pela Síria.

Diante disso, Suleimani forjou relações com o exército que acabou exterminando os grupos terroristas e, por sua vez, aproximou muitos povos que eram praticamente inimigos, sabia negociar com alguns dos curdos que flertaram com os Estados Unidos e tiveram uma aceitação social muito grande, principalmente por seu fervoroso pensamento revolucionário. Era comum ouvir (de Souleimani) que ele queria morrer como mártir por uma causa justa e que penetrasse profundamente na sociedade iraniana.

Suleimani e Trump se corresponderam várias vezes no Twitter, como quando Trump anunciou as sanções com um pôster do filme com a frase "as sanções estão chegando" e Suleimani respondeu com a frase "estamos esperando por elas". Além de sempre ser firme antes de qualquer declaração de Trump.

Em abril de 2019, Trump declarou a guarda da revolução como um movimento terrorista e a resposta foi que o Irã nomeou os fuzileiros navais como grupos terroristas, o que pareceria pitoresco, foi o que o permitiu (de acordo com os Estados Unidos) ao bombardeio de 3 de janeiro de 2020.

O atentado não só viola a soberania do Iraque, mas também ataca a resistência islâmica que abrange toda a região. Apesar do duro golpe, é provável que a resposta não demore muito depois de três dias de luto e podemos até ousar dizer que o objetivo central por causa de sua proximidade e história militar é Israel, quem precisamente, de acordo com o Asia Times, forneceu para os Estados Unidos as coordenadas da van de Suleimani.

Não se pode ignorar as próximas eleições nos Estados Unidos e a posição negativa em que Donald Trump se encontra, que foi até criticado por Nancy Pelossi, aquela que impulsionou o julgamento político contra ele.

Tudo pode acomtecer ... você apenas tem que esperar, mas o que está claro é que os espíritos estão aquecidos. Os Estados Unidos deram o primeiro golpe e agora a resposta está chegando.

Não se pode deixar de dizer dizer que há muitos anos repetem nas mesquitas e nas ruas de Irã a frase  "morte à América" e "morte a Israel". As frases que parecem de uma crueza quase irracional, mas vendo e entendo a história do Irã e da região, o que pedem com essa frase é a morte do pensamento opressor e imperialista que é o motor tanto de Estados Unidos como de seu fiél companheiro. 

Valeria Rodríguez é analista internacional e co-apresentadora do programa "Feas, Sucias y Malas" da Rádio Gráfica, de Buenos Aires, Argentina