As favelas do sul da Europa, o novo mercado de escravos da UE e o coronavírus

As favelas do sul da Europa, o novo mercado de escravos da UE e o coronavírus

Por Sonja van den Ende

parece um campo de refugiados na Síria ou na Turquia, mas, na verdade, é a Espanha, a costa sul de Almeria, Andaluzia. Acampamentos semelhantes podem ser encontrados na Itália: Sicília e Calábria, as partes do sul da Itália, onde os imigrantes são ajudados por ONGs patrocinadas pela UE a desembarcar em todas as partes da África e serem usados no novo mercado de escravos. As partes do sul da Itália e da Espanha estão se tornando as favelas “africanas” da Europa, onde centenas de milhares de trabalhadores migrantes africanos vivem em circunstâncias semelhantes ou talvez até piores que os escravos que trabalharam nas fazendas de algodão dos EUA no século XIX.

Os supermercados estão cheios de frutas e legumes baratos. A maioria dos produtos vem da Espanha, mas a Itália também é um fornecedor importante. Como os países podem produzir tão barato? Um vídeo revela condições de trabalho catastróficas. A Espanha e a Itália fornecem a nós, europeus, frutas e legumes baratos, laranjas, tangerinas, tomates e pepinos. Os grandes supermercados da Europa, como Aldi, REWE, Lidl, Carrefour, Albert-Hein (chamado Albert nos países da Europa Oriental) ditam os preços para as empresas na Espanha e Itália, subsidiadas pela União Européia.

A UE criou uma força de trabalho escrava nos países do sul e subsidia as grandes empresas de lá com dinheiro dos impostos do bloco. Isso faz você se perguntar e explica, por outro lado, a política de migração da UE. Eles querem "novos" escravos trabalhadores, como na época romana, para fornecer à burguesia alimentos e legumes frescos baratos.

O trabalho nas fazendas de frutas e legumes, proposto pelas empresas e aceito pelos trabalhadores, é sem contrato. Também não possui garantias de seguro e segurança no local de trabalho. Os migrantes irregulares (aqueles sem permissão legal) estão sendo explorados ao aceitar essas formas de trabalho. Por estarem trabalhando sem contrato, não podem solicitar uma autorização de residência e vice-versa; por outro lado, como não podem reivindicar direitos como trabalhadores, exceto nos casos em que a violência física é sofrida, eles continuam sendo vítimas de séria exploração no trabalho.

Almeria, a parte sul da Espanha, abriga as maiores favelas, situadas em uma área árida de terreno baldio nos arredores da pequena cidade de San Isidro. Almeria abriga a maior concentração de estufas do mundo. Cobrindo mais de 31.000 hectares (76.600 acres) e visível do espaço, o "mar de plástico" de Almeria produz cerca de 3,5 milhões de toneladas de frutas e legumes por ano. Segundo a empresa de distribuição regional Agrosol, 61% da produção da Almeria é exportada, com 99,8% para a Europa - Holanda (13,55%), França (13,5%) e Reino Unido (11,4%) sendo os principais mercados.

Tomates: Alemanha (253.603.412 toneladas), Reino Unido (145.786.239 toneladas) e Holanda (108.809.177 toneladas)

Pimenta: Alemanha (289.784.484 toneladas), França (117.876.979 toneladas) e Holanda (91.559.489 toneladas)

Pepino: Alemanha (176.469.357 toneladas), Holanda (63.069.737 toneladas) e Reino Unido (59.003.974 toneladas).

Isso leva a uma situação estranha. Quem na Holanda pensa que está comendo tomate holandês é enganado, já que é tudo do mercado de escravos na Espanha. Na realidade, o que é chamado de "milagre econômico" de Almeria entre os economistas espanhóis depende quase exclusivamente de uma força de trabalho migrante invisível, dispensável e empregada ilegalmente, trabalhando sob calor de 40 graus e umidade extrema. Eles vivem em favelas e, quando não conseguem mais aguentar, outro barco de "refugiados" está esperando para desembarcar e substituí-los.

 

Coronavírus

O coronavírus está ficando fora de controle na UE, especialmente na Itália e na Espanha. Sendo esses dois fornecedores de quase todas as nossas frutas e legumes, a Europa pode enfrentar uma escassez desses produtos. De alguns dias pra cá, existem tumultos no sul da Itália, um mau sinal para a importação de frutas e legumes do mercado de escravos da UE . Se o lockdown continuar, os preços aumentarão. Por outro lado, a colheita de aspargos e maçãs está em perigo na Alemanha e na Holanda, porque esses países da UE dependem da força de trabalho da Romênia, Bulgária e Polônia. Eles colhem espargos e maçãs, já que não há trabalhadores alemães ou holandeses que desejam fazer esse tipo de trabalho.

A UE está no seu fim, o que é dolorosamente claro. Como no antigo Império Romano, os Vandalos trouxeram convulsões ao Império e, eventualmente, o deterioraram. É isso que vemos agora. Os países da UE não conseguem se ajudar, obtendo ajuda da Rússia e da China, que os governos do bloco tentam rotular como propaganda. O sistema de saúde já se deteriorou há muito tempo. Eles não têm máscaras, nenhum termômetro eletrônico de febre e estão impondo a lei marcial.

Se eles continuarem com o lockdown, será o fim da Europa como a conhecemos. A Rússia e a China crescerão e cada vez mais países da UE sabem que a “irmandade” não existe. Os trabalhadores escravos seguirão em frente, e a Europa enfrentará a maior crise que já viu.

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Sonja van den Ende é jornalista holandesa independente

Originalmente em Oneworld.press