Israel destrói leste de Beirute Oriental com uma nova arma | Thierry Meyssan

Israel destrói leste de Beirute Oriental com uma nova arma | Thierry Meyssan

O Primeiro Ministro Israelense ordenou a destruição de um armazém de armas do Hezbollah em Beirute com uma nova arma. O artefato, que não é bem conhecido, causou danos consideráveis na cidade, matando mais de 100 pessoas, ferindo 5.000 e destruindo muitos edifícios. Desta vez, será difícil para Benjamin Netanyahu negá-lo.

Por Thierry Meyssan

 

O primeiro Primeiro Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, autorizou um ataque contra um depósito de armas do Hezbollah utilizando uma nova arma que foi testada durante sete meses na Síria. Não se sabe se o segundo Primeiro-Ministro, Benny Gantz, deu o seu consentimento.

O ataque foi realizado em  4 de Agosto de 2020, no local exato designado por Benjamin Netanyahu no seu discurso às Nações Unidas em 27 de Setembro de 2018 [1].

Não se sabe que arma foi utilizada. No entanto, já foi testada na Síria desde Janeiro de 2020. Trata-se de um míssil com um componente nuclear tático na sua ogiva que provoca um cogumelo de fumaça característico das armas nucleares. Não se trata obviamente de uma bomba atômica no sentido estratégico.

Teste de arma israelense na Síria


A arma foi testada na Síria numa planície no campo e depois no Golfo Pérsico na água contra embarcações militares iranianas. É a primeira vez que é utilizada num ambiente urbano, num ambiente particular que fez com que a expansão do ar e as vibrações refletissem na água e nas montanhas. Longe de destruir apenas o porto de Beirute, matou uma centena de pessoas, feriu pelo menos 5.000 e destruiu principalmente a parte oriental da cidade (a parte ocidental foi em grande parte protegida pelo silo de grãos).

Israel ativou imediatamente as suas redes nos meios de comunicação internacionais para encobrir o seu crime e dar crédito à ideia da explosão acidental de um estoque de fertilizantes. Como é frequentemente o caso, os falsos culpados são apontados, e a máquina dos meios internacionais repete esta mentira infinitamente, na ausência de qualquer investigação. No entanto, houve de fato uma nuvem de fumaça incompatível com a tese da explosão de um fertilizante.

O cogumelo de fumaça observado em Beirute não tem relação com algo que seria causado por um explosivo convencional.


Como nem a Síria nem o Irã tinham comunicado sobre esta arma quando foram atingidos, os partidos políticos libaneses chegaram imediatamente a um acordo para não dizer nada a fim de não desmoralizar a sua população. Foi aberta uma investigação, não sobre a causa da explosão, mas sobre a responsabilidade do pessoal do porto pelo armazenamento do fertilizante supostamente responsável pela explosão. Contudo, esta mentira logo se voltou contra os partidos políticos que a tinham imaginado.

O Tribunal Especial para o Líbano (ONU), que deveria tornar público o seu veredito no caso do assassinato do antigo Primeiro-Ministro Rafik Hariri em 2005, decidiu adiá-lo por alguns dias. De forma idêntica, nesse caso, a explosão de uma pickup mascarou o disparo de um míssil com uma nova arma, tal como desta vez a explosão de nitrato mascara o disparo de um míssil com outra nova arma.

Cinco anos depois, cinco anos tarde demais, revelei numa revista russa a forma como Rafik Hariri tinha sido morto [2], enquanto o Hezbollah publicou um vídeo que comprovava o envolvimento de Israel.

É importante notar que o assassinato de 2005 visou um antigo primeiro-ministro sunita e que o ataque de 2020 não visou o Hezbollah xiita, mas a Resistência Libanesa como um todo.

Desta vez, várias embaixadas realizaram inquéritos, incluindo a recolha de amostras de cereais e filtros de ar em ambulâncias que foram imediatamente para o local. O material já está sendo investigado nos seus respectivos países.

Notas

[1] Remarks by Benjamin Netanyahu to the 73rd Session of the United Nations General Assembly, by Benjamin Netanyahu, Voltaire Network, 27 September 2018.

[2] “Revelations on Rafik Hariri’s assassination”, by Thierry Meyssan, Оdnako (Russia) , Voltaire Network, 29 November 2010.

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Thierry Meyssan é jornalista e presidente-fundador da Rede Voltaire

Originalmente em Rede Voltaire