O acordo turco de migração com a Europa trouxe destruição às ilhas gregas

O acordo turco de migração com a Europa trouxe destruição às ilhas gregas
Por Sonja van den Ende

Os imigrantes nas ilhas gregas, que a União Europeia chama de refugiados, estão tornando a vida insuportável para os habitantes nativos da Grécia. As ilhas mais afetadas são: Lesbos, Samos, Quíos, Kos, Kalymnos, Rhodos, Symi, Agathonisi e Leros, essas são ilhas próximas à Grécia continental e não muito longe da Turquia, no chamado arquipélago do Dodecaneso. Essas ilhas estão superlotadas com todos os tipos de imigrantes do Afeganistão, Síria, Iraque e outros. São os países nos quais a UE, em cooperação com a Turquia e os EUA, apóia o terrorismo e conduz guerras cruéis contra a população, que eles chamam de guerras civis.

Um documentário recente da TV holandesa mostra que a situação caótica nessas ilhas gregas está destinada a explodir à medida que se espera que mais migrantes cheguem em 2020. O governo grego prevê que mais 100.000 pessoas chegarão da Turquia em 2020. Por que há um aumento desses imigrantes? A Síria está quase liberada, mas as guerras no Afeganistão e no Iraque ainda estão em andamento, embora isso já ocorra há quase 20 anos desde que os EUA e a OTAN decidiram invadir esses países e promover sua destruição. A razão é a Turquia, que fez um acordo com a UE para impedir o afluxo de migrantes vindos do País. Há quatro anos, a UE e a Turquia assinaram um acordo de migração (2016). Enquanto os "ataques finais" americanos ocorreram na Síria, os países europeus escolhiam estratégias diferentes para lidar com seus "jihadistas" nacionais.

Atualmente, a Turquia abriga a maior população de refugiados do mundo e está cada vez mais sob os holofotes sobre a migração para a UE. O país, inegavelmente, desempenha um papel fundamental na questão devido à sua posição geográfica entre a Europa, o sul e o leste. A maioria dos 3,9 milhões de refugiados da Turquia vem de países devastados pela guerra ou países com estados frágeis ao redor do Oriente Médio. Essa vasta população é composta em sua maioria por 3,6 milhões de sírios. Existem também 170.000 refugiados do Afeganistão, 142.000 do Iraque, 39.000 do Irã, 5.700 da Somália e 1.000 de outras nacionalidades desconhecidas.
 
Uma análise da situação destaca as consequências de que, se o acordo se romper, o que ocorreu recentemente, A Turquia detém a chave do acordo de migração da UE. Lembre-se de que todos os líderes do bloco foram à Grécia e à Turquia (2015) para se tornarem amigos “próximos” do Presidente Erdogan. Mas como muitos sabem, Erdogan não é um parceiro confiável, ou, nesse caso, nem o governo turco, você não pode confiar neles. O fim do jogo está se desenrolando em Idlib, na Síria, e Erdogan virou as costas para a Rússia para se tornar “amigo” novamente da UE, EUA e OTAN, mas não uma verdadeira amizade geopolítica. Ele decidiu esvaziar o maior campo de refugiados al-Hawl na Turquia para deixar as pessoas migrarem para a Europa.

Além das dificuldades econômicas e sociais na Síria e em outros países destruídos pela guerra, dois problemas iminentes também podem surgir na Turquia. O primeiro diz respeito ao caso dos cidadãos da UE que são combatentes do “Estado Islâmico e outros grupos terroristas”. À medida que os grupos se aproximam da derrota total em Idlib, espera-se que cerca de 5.000 combatentes pretendam retornar à Europa através da Turquia. Além disso, muitos deles estão atualmente no campo al-Hawl. Sem esqeucer das mulheres e crianças que também estão no acampamento, o que aumentará o número para talvez 10.000 ou mais.
 
De volta às ilhas gregas, uma catástrofe se desenrolou desde 2015. Mais de um milhão de migrantes entraram nas ilhas, o que aumentará este ano em cerca de 100.000 ou mais. As ilhas gregas estão irreconhecíveis, a bela cultura da Grécia está desaparecendo. Parece que há uma guerra em curso, os gregos nativos perderam sua renda, os turistas não estão mais vindo, os migrantes estão roubando suas azeitonas, madeira, saques e roubos, e as mulheres não se sentem seguras. 
 
Os migrantes vivem sob péssimas condições, os guetos ao estilo indiano trazem todo tipo de doenças, infectados por piolhos e sarna, o que não é bom com o coronavírus à solta. A Europa está parcialmente na Idade Média, alguns chamam de continente perdido, o que se aplica às ilhas gregas. A Europa Ocidental está infectada com jihadistas, ataques terroristas e o surgimento de neonazistas graças à política de fronteiras abertas da ONG financiada pela UE e por Soros. Não há como voltar atrás, a caixa de Pandora se abriu e é difícil de fechar.
 
Opções

Enquanto a crise geopolítica síria continua com a Turquia patrocinando os grupos jihadistas e esvaziando os campos de refugiados, três opções estão diante da UE:

Uma opção é tornar-se mais engajada no bem-estar de milhões de sírios. A UE dispõe de todos os recursos necessários para ser mais ativa nesse campo e contribuir para uma solução sustentável na Síria. É de vital importância implementar uma política síria funcional, com foco na paz e na denúncia de ajuda aos jihadistas, que eles ainda chamam de rebeldes. É também um bom momento para mostrar solidariedade ao povo sírio, levantando as sanções e reembolsando parte dos danos que infligiram à República Árabe.

Sem esse envolvimento, a UE ficará com uma segunda opção, muito diferente: convencer o governo turco, leia-se Erdogan, a garantir que os refugiados fiquem na Turquia e parem de lutar contra a Síria, um país soberano. Se os membros da UE estiverem apenas interessados em se isolar da crise na Síria e em manter a chegada de refugiados na Europa o mais baixo possível, terão simplesmente de dar mais influência ao governo turco. Nesse caso, a UE precisaria estar pronta para doar mais dinheiro, interromper a política turca sobre a Síria e possivelmente fazer mais concessões, dependendo de como o jogo turco é jogado.

A terceira opção seria simplesmente assumir o risco de outro influxo migratório descontrolado, desta vez incluindo milhares de ex-combatentes do Estado Islâmico entre outros grupos. A escolha da Europa é parar ou não a destruição da civilização européia.
 
***
Sonja van den Ende é jornalista holandesa independente
 
Originalmente em Oneworld.press