Quem vencerá as eleições nos EUA? | Valeria Rodriguez

Quem vencerá as eleições nos EUA? | Valeria Rodriguez

Por Valeria Rodriguez 


Em 3 de novembro, as eleições presidenciais americanas serão realizadas e, embora as pesquisas mostrem que o candidato democrata está na liderança, nada ainda é certo.

Até agora a maioria das pesquisas coloca o candidato democrata Joe Biden à frente do candidato republicano Donald Trump, que em sua primeira campanha virtual de arrecadação de fundos para sua reeleição conseguiu US$ 20 milhões e admitiu que investirá sua própria fortuna em sua reeleição. Lembremos que em 2016, Trump investiu 60 milhões de seus ativos para vencer as eleições.

Embora as pesquisas possam desempenhar um papel importante na construção do apoio público aos candidatos, isso não significa que elas possam prever quem poderá vencer a eleição.

O voto indireto e o colégio eleitoral

Os Estados Unidos têm uma característica muito particular em relação às eleições presidenciais e que tem a ver com o sistema eleitoral.

Aqui, não ganha quem tem mais votos, mas sim quem recebe mais votos no colegio eleitoral.

De fato, em 2016, Hillary Clinton tinha conseguido mais 3 milhões de votos do que Trump, mas foi este último que venceu o pleito depois de conseguir três dos estados com mais votos no colégio eleitoral (Pensilvânia, Wisconsin e Michigan).

Desde 1964, o colégio eleitoral consiste em 538 votos, dos quais 270 são necessários para vencer uma eleição presidencial.

Cada colégio eleitoral depende do número de votos de cada estado, que por sua vez depende do número de habitantes refletidos na Câmara dos Deputados e no Senado.

Portanto, há estados que têm mais representantes do que outros e cada candidato concorre.

Um exemplo disso é a Califórnia, que tem 38 milhões de pessoas, 53 membros na Câmara dos Deputados e 2 no Senado, portanto, o colégio eleitoral da Califórnia tem 55 votos.

A Flórida, por outro lado, tem 19 milhões de pessoas, 27 membros da Câmara dos Deputados e dois senadores, portanto, seu colégio eleitoral tem 29 votos.

Vermelhos, azuis e roxos

Outra característica que os Estados Unidos tem a ver com a maneira de sufrágio de cada estado e é aqui que eles estão divididos em três categorias: vermelho, azul e roxo.

Essas categorias referem-se às tendências eleitorais relacionadas aos democratas (azuis), republicanos (vermelhos) e aos estados que alternam suas preferências, que são os roxos.

Embora a ruptura com a tradição eleitoral não seja muito comum, em 2016, Trump conseguiu romper o muro azul em quatro estados que vinham votando nos democratas desde 1992
(Pennsylvania, Michigan, Wisconsin e Mine).
 
Apesar disso, os estados roxos ainda são importantes para a vitória eleitoral, pois representam 156 votos do total do Colégio Eleitoral e um deles é a Flórida, onde Biden bateu Trump por apenas 3 pontos.

A campanha de Trump

Apesar da má experiência com a pandemia, as manifestações populares contra o racismo e o desemprego, Trump continua a ter uma alta aceitação mesmo que Biden o ultrapasse em pelo menos 6 pontos.


As estratégias que ele está usando para conseguir votos se referem diretamente à propaganda política através da mídia e das redes sociais.

De fato, a Fox News foi uma das redes que difundiu a possível candidatura de Trump ao Prêmio Nobel da Paz por seu apoio à normalização das relações entre os Emirados Árabes Unidos e Israel, assim como o Bahrein e possivelmente a Arábia Saudita.

Durante os últimos meses, ele mudou seu discurso beligerante para uma pseudo-diplomática, se encontrando com o Primeiro Ministro iraquiano e concordando com a retirada das tropas.

Em 11 de setembro, ele enviou Pompeo para iniciar as negociações de Doha entre o Talibã e o governo afegão, e também anunciou a retirada das tropas daquela região.

De acordo com o Pentágono, espera-se que entre 4.000 e 5.000 dos 8.600 soldados no Afeganistão sejam retirados nos próximos dois meses e, finalmente, em meados de 2021, os restantes.

Apesar de sua guinada diplomática em alguns aspectos, a administração Trump continua a utilizar a guerra econômica através da imposição de sanções a diferentes países, como o Líbano.

A idéia fundamental de Trump, seguindo a posição de Israel, é destruir a resistência e por isso ele sancionou representantes políticos próximos ao movimento de resistência Hezbollah e, enquanto isso, deixou a França desempenhar o papel diplomático na região.

Apesar da aparente diplomacia americana, o exército tem sido denunciado por exercer atividades militares na fronteira entre a Síria, Iraque e Jordânia, onde justamente movimentos terroristas têm ressurgido.

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Valeria Rodríguez é analista internacional e co-apresentadora do programa "Feas, Sucias y Malas" da Rádio Gráfica, de Buenos Aires, Argentina.