Solidariedade entre Irã e Venezuela: a Práxis combativa por um mundo melhor  | Angel Rafael Tortolero Leal 

Solidariedade entre Irã e Venezuela: a Práxis combativa por um mundo melhor  | Angel Rafael Tortolero Leal 

 Por Prof. Dr. Angel Rafael Tortolero Leal 

Sem ignorar o poder militar bélico e assassino concentrado nos Estados Unidos da América, em contraste a seu desejo maléfico de domínio mundial, surgiu um poderoso bloco histórico, que resiste e contra-ataca pela praxis da paz e da vida, sem fugir do combate; mas se somando todos os povos que defendem sua autodeterminação e compreendem que somente a fraternidade e a solidariedade os tornarão verdadeiramente livres.

Neste sentido, um breve olhar sobre o mundo é suficiente para dar um relato da afirmação anterior, por exemplo: A Síria, bloqueada, assediada e subjugada pelas forças contratadas de fabricação gringa (DAESH), combateu seus agressores, com a ajuda da Rússia, Irã e Hezbollah, diretamente no campo de batalha, e com a solidariedade militante em todo o sistema das Nações Unidas, com a participação da maioria dos países que condenam as famosas incursões promovidas a partir da Casa Branca em favor da continuidade da guerra; sua principal fonte de enriquecimento.

Nesta ordem de idéias, apesar de o império e seus aliados, com outras táticas, mas com as mesmas estratégias e os mesmos objetivos, insistirem em atacar e bloquear o Irã; toda vez que tentam; com dignidade; diversa e plural; grande parte dos governos do mundo responde ao apelo à proteção da nação persa sitiada e à condenação de seu agressor.

É a mesma história das agressões e do desaforo dos ianques contra Cuba, Nicarágua e Venezuela; nações cujo único crime é não estar na órbita macabra da dominação neocolonial norte-americana.

A Palestina merece um capítulo à parte. Vejamos, a favor desse povo, grande por sua resistência, coragem e combatividade, toda a humanidade se manifestou sem distinção de raça, credo político ou religião, e embora até agora não tenha conseguido avançar diante do assassino sionista israelense que o oprime, não é menos verdade que o debate diplomático para a construção de dois Estados independentes ainda não se esgotou; tampouco foi anulada a possibilidade de apoio militar substancial de muitos povos com capacidade de resposta ao invasor; situação que não é desejada, mas que, pelos excessos dos fascistas dos EUA e de Israel, não é descartada.

Agora, na Venezuela, celebramos a solidariedade internacional, porque o nosso modelo político revolucionário, bolivariano e chavista, assim tem estampado na consciência. Nós não pretendemos impor nada ao mundo. E talvez por essa razão, os neocolonizados, apátridas e outros espécimes da fauna oposicionista, não consigam entender que melhor do que ganhar milhões de dólares, é ter milhões de amigos com quem intercambiar e complementar.

É importante ressaltar que este carregamento de combustível, somadas a todas as outras ajudas recebidas e trocadas com a República Islâmica do Irã, superam na sua chegada, qualquer compra que em situações normais (sem bloqueio ou saque do império e seus capangas) teríamos conseguido obter.

Os navios iranianos vêm na contracorrente do infame governo de Donald Trump, não para desafiá-lo, mas para mostrar que outro mundo é possível, que a salvação da espécie humana é diretamente proporcional ao empenharmos para desenvolver juntos as potencialidades para transcender ao estágio superior do bem viver e do bem-estar.

O velho adágio diz que a "solidariedade se celebra, não se agradece", e na Venezuela estamos celebrando, a obtenção da gasolina e dos insumos para nossa indústria petrolífera, e a alegria de ter a solidariedade ativa e correspondente da República Islâmica do Irã, para a qual não bastam palavras de louvor e compromisso.

Com Chávez à frente como o comandante eterno, decidimos estar livres de qualquer hegemonia; por isso enfrentamos os mais cruéis e criminosos ataques do império.

Chávez, como nenhum outro governante na Venezuela, abriu as fronteiras para o mundo e desvendou territórios, enquanto afrouxava os laços com o império e colocava o país no mapa do mundo como uma nação libertária e respeitosa. Assim foi forjada nossa política externa e nela foi formado o Presidente Nicolás Maduro, o condutor de vitórias.

Hoje, estamos no meio de uma batalha e a dinâmica internacional se move a uma velocidade que não deixa muito espaço para a análise da situação a longo prazo e a projeção de cenários possíveis. Diante disso, o Presidente advertiu que a única alternativa é ser extremamente cauteloso e desenvolver uma visão panorâmica dos acontecimentos minuto a minuto, embora as ameaças do Sr. Trump e de todo seu governo contra o Irã e seu carregamento de combustível para a Venezuela não tenham sido cumpridas, isso não significa que eles tenham desistido da idéia de atacar e impedir o desenvolvimento de um canal de abastecimento entre as duas nações.

Trump está derrotado; dentro de seu país por uma gestão pública precária de acordo com as taxas de mortalidade produzidas pela pandemia da COVID19 e a nível internacional, pois não tem sido capaz de obter um único êxito nos confrontos recorrentes que tem provocado no mundo. Entretanto, é preciso lembrar que a política imperial dos EUA está além do comando circunstancial de quem está na presidência, para o poder imperial, os presidentes passam, e ponto final.

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Dr. (PhD) Ángel Rafael Tortolero Leal  é Profesor Investigador Titular da Universidad Nacional Experimental "Rómulo Gallegos" (Unerg), Diplomata; Ex Embajador venezuelano, Analista Internacional e membro do Centro de Estudios Socialistas Jorge Rodríguez.