A Blackwater está no Donbass com o batalhão Azov | Manlio Dinucci

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Por Manlio Dinucci

A CIA e o MI6 estão reorganizando as redes da OTAN na Europa Oriental. Se após a Segunda Guerra Mundial eles confiaram nos ex-nazistas para lutar contra os soviéticos, ainda apoiam os grupos neonazistas contra os russos. Não há nenhuma razão óbvia para isto. Os nazistas eram numerosos nos anos 40, são muito poucos hoje e só existem graças à ajuda dos anglo-saxões.

O telefonema entre o presidente Biden e o presidente ucraniano Zelensky (em 27 de janeiro) “não correu bem”, manchetes da CNN: enquanto “Biden advertiu que uma invasão russa é praticamente certa em fevereiro, quando o solo congelado torna possível a passagem de tanques”, Zelensky “pediu a Biden para baixar o tom, argumentando que a ameaça russa ainda é ambígua”. Como o próprio presidente ucraniano toma uma posição mais cautelosa, as forças armadas ucranianas estão se aglomerando no Donbass, perto da área de Donetsk e Lugansk habitada pelas populações russas.

De acordo com relatórios da Missão Especial de Monitoramento da OSCE na Ucrânia, obscurecida por nossa mídia dominante que só fala sobre o destacamento russo, unidades do Exército Ucraniano e da Guarda Nacional, totalizando cerca de 150 mil homens, estão posicionadas aqui. Estão armados e treinados, e assim efetivamente comandados por conselheiros e instrutores militares de EUA-OTAN.

De 1991 a 2014, de acordo com o Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA, os americanos forneceram à Ucrânia US$ 4 bilhões em assistência militar, a qual foi acrescentada em mais de US$ 2,5 bilhões após 2014, mais de um bilhão fornecido pelo Fundo Fiduciário da OTAN, do qual a Itália também participa. Isto é apenas uma parte dos investimentos militares feitos pelas principais potências da OTAN na Ucrânia. A Grã-Bretanha, por exemplo, concluiu vários acordos militares com Kiev, investindo entre outras coisas 1,7 bilhões de libras no fortalecimento das capacidades navais da Ucrânia: este programa prevê o armamento de navios ucranianos com mísseis britânicos, a produção conjunta de 8 lançadores de mísseis rápidos, a construção de bases navais no Mar Negro e também no Mar de Azov entre a Ucrânia, a Crimeia e a Rússia. Neste contexto, os gastos militares ucranianos, que em 2014 equivaliam a 3% do PIB, aumentaram para 6% em 2022, o que corresponde a mais de 11 bilhões de dólares.

Além dos investimentos militares EUA-OTAN na Ucrânia, há o plano de US$ 10 bilhões que está sendo implementado por Erik Prince, fundador da empresa militar privada norte-americana Blackwater, agora renomeada Academy, que tem fornecido mercenários à CIA, Pentágono e Departamento de Estado para operações secretas (incluindo tortura e assassinatos), ganhando bilhões de dólares. O plano de Erik Prince, revelado por uma investigação da revista Time, é criar um exército privado na Ucrânia através de uma parceria entre a empresa Lancaster 6, com a qual Prince tem fornecido mercenários no Oriente Médio e na África, e o principal escritório de inteligência ucraniano controlado pela CIA. Não se sabe, é claro, quais seriam as tarefas do exército privado criado na Ucrânia pelo fundador da Blackwater, certamente com financiamento da CIA. No entanto, é de se esperar que ele realizaria operações secretas na Europa, Rússia e outras regiões a partir de sua base na Ucrânia.

Neste contexto, é particularmente alarmante que o Ministro da Defesa russo Shoigu tenha denunciado que na região de Donetsk existem “empresas militares privadas americanas que estão preparando uma provocação com o uso de produtos químicos desconhecidos”. Pode ser a centelha que provoca a detonação de uma guerra no coração da Europa: um ataque químico contra civis ucranianos em Donbass, imediatamente atribuído aos russos de Donetsk e Lugansk, que seria atacado pelas forças ucranianas predominantes já destacadas na região, para forçar a Rússia a intervir militarmente em sua defesa.

Na linha de frente, pronta para massacrar os russos no Donbass, está o batalhão Azov, promovido a um regimento de forças especiais, treinado e armado pelos EUA e pela OTAN, distinguido por sua ferocidade nos ataques contra as populações russas da Ucrânia. O Azov, que recruta neonazistas de toda a Europa sob sua bandeira inspirada na do SS Das Reich, é comandado por seu fundador Andrey Biletsky, promovido a coronel. Não é apenas uma unidade militar, mas um movimento ideológico e político, do qual Biletsky é o líder carismático, especialmente para a organização juvenil que é educada para odiar os russos com seu livro “The Words of the White Führer” (As Palavras do Führer Branco).

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Originalmente em Rede Voltaire

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2 COMENTÁRIOS

  1. Seria no mínimo instigante caso as redes de TV brasileiras, quiçá ocidentais, divulgassem o relato acima como contra-discurso ao discurso único de todas as redes, na criminalização da ação militar russa. Só assim o alardeado debate democrático seria estabelecido.

  2. Esta evidente que a agressao vem da OTAN A Russia apenas esta usando o direito de defesa cpntra um pais provocdor e que traiu a Russia varias vezes no passado e agora surge como base terrorista para tentar desestabilizar a federacao russa

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