A resistência avança contra o sionismo | Valeria Rodriguez

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Por Valeria Rodriguez


Em 7 de maio passado, ao comemorar o dia de Al Quds, que traduzido é o dia de Jerusalém, o exército de ocupação israelense bloqueou a entrada de palestinos que estavam prestes a entrar na Mesquita Al Aqsa para rezar e iniciou uma onda de violência contra os fiéis que estavam dentro do santuário.

Deve-se notar que o dia de Al Quds é comemorado todos os anos na última sexta-feira do mês santo do Ramadã, que é o mês em que os muçulmanos ao redor do mundo jejuam durante o dia com o objetivo de louvar a Deus, mas também com o objetivo de compreender o sofrimento daqueles que não podem ter acesso a alimentos e água, como se fosse uma forma de entender a dor dos outros.

No âmbito deste importante mês, em 1979, após a Revolução Islâmica no Irã, o Aiatolá Khomeini declarou a última sexta-feira do Ramadã como o dia do Al Quds, como uma forma de lembrar a resistência do povo palestino que é semelhante à resistência de todos os muçulmanos durante este mês.

Todos os anos o exército de ocupação aproveita este momento para atacar e intimidar os palestinos que se aproximam da Mesquita de Al Aqsa, mas este ano particularmente  o fizeram de forma mais violenta usando bombas de gás e balas de borracha dentro e na esplanada da Mesquita.

Além da repressão na Mesquita Al Aqsa, Israel enviou colonos para evacuar o bairro do Xeque Jarrah, que é um bairro muçulmano localizado nas proximidades do santuário e foi criado por 28 famílias muçulmanas.

Esta ação foi realizada em 6 de maio, coincidindo com a noite do Laylatul Qadr (a noite do decreto) que é uma noite especial durante o mês do Ramadã em que os muçulmanos passam a noite acordados rezando, sem respeitar as crenças dos palestinos, o exército de ocupação intentou expulsões massivas e violentas sob o disfarce de uma declaração da justiça israelense.

A violência e a repressão contra os palestinos não pararam e chegaram a ferir pelo menos 300 pessoas e outras 10 perderam suas vidas nos confrontos, apesar disso, os palestinos continuaram a lutar e muitos meios de comunicação a consideraram como a terceira intifada.

Por sua vez, e diante do aumento da violência de Israel, as forças de resistência palestinas fizeram um ultimato para que retirassem suas forças de ocupação da esplanada da mesquita e do bairro Sheikh Jarrah, e diante da recusa, deram início a uma série de ataques defensivos.

Entre domingo e segunda-feira, as forças de resistência lançaram mais de 100 foguetes de última geração, mostrando que há um músculo importante na resistência, apesar do fato de países como a Arábia Saudita estarem bloqueando a ajuda econômica dos ativistas pró-Palestinos para a causa.

De fato, deve-se lembrar que no mês passado o sistema de segurança israelense falhou quando um foguete palestino caiu muito perto da usina nuclear de Dimona nos territórios ocupados, o que de certa forma demonstrou a capacidade militar e o desenvolvimento técnico da resistência.

Os meios de comunicação e o viés midiático

Desde o início das ações repressivas de Israel contra os palestinos, a informação só foi compartilhada através de redes sociais e somente no domingo, quando expirou o tempo dado pelos movimentos de resistência a Israel para retirar suas tropas do Al Aqsa, que a notícia se tornou viral na grande mídia.

O que é impressionante é que as informações divulgadas são completamente tendenciosas, pois se afirma que os grupos de resistência são considerados como grupos terroristas, promovendo assim a “teoria dos dois demônios”.

Deve-se notar que os grupos de resistência palestinos não estão incluídos na lista de grupos terroristas das Nações Unidas, portanto, considerá-los como tal é um erro, já que a lista da ONU representa a comunidade internacional, mesmo que alguns países como os Estados Unidos e seus aliados os considerem como terroristas não significa que a comunidade internacional os reconheça também.

A Palestina desde 1948 está sendo ocupada por uma entidade que viola categoricamente as resoluções da ONU, ignora o direito internacional, ignorando cada um dos apontamentos feitos pela comunidade internacional como no caso do regime especial da cidade de Jerusalém.

De acordo com a ONU, Jerusalém é considerada como “Corpus separatum” que é um termo usado para descrever a área correspondente a Jerusalém e seus arredores no Plano das Nações Unidas para a divisão da Palestina em 1947. De acordo com o plano, a área em questão deveria ser colocada sob um regime internacional por causa de seu significado religioso.

Apesar disso, e em desrespeito a ela, Jerusalém foi declarada a capital de Israel, o que foi amplamente repudiado, embora países como os Estados Unidos e seus aliados tenham mudado suas embaixadas de Tel Aviv para Jerusalém.

Além disso, Israel, que se vende ao mundo como a “democracia do Oriente Médio”, viola a Resolução 181, assim como o livre acesso e o trânsito irrestrito aos lugares santos para os fiéis das três religiões monoteístas mais importantes (judaísmo, cristianismo, islamismo), o que se tornou claro durante esses dias em que as forças de ocupação iniciaram o ciclo de violência.

Por outro lado, também violam a Convenção de Genebra principalmente em seu artigo 54 sobre a proteção dos bens indispensáveis para a sobrevivência da população civil, que se refere principalmente a hospitais e instituições públicas.

Apesar disso, no contexto da pandemia em que nos encontramos, muitos meios de comunicação estão elogiando os “avanços” em termos de vacinação e colocam Israel como exemplo, mas não dizem que evitou vacinar o povo palestino e que só permitiu o acesso à vacina a 0,4% deles.

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Valeria Rodríguez é analista internacional e co-apresentadora do programa “Feas, Sucias y Malas” da Rádio Gráfica, de Buenos Aires, Argentina

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