Ataques a Israel põe em xeque sua segurança | Valeria Rodriguez

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Por Valeria Rodriguez

Na quinta-feira (22) pela madrugada, um míssil disparado da Síria atingiu as proximidades das instalações nucleares de Dimona, nos territórios da Palestina ocupada, chamou a atenção o fato de os sistemas de defesa Iron Dome não detectarem o míssil, o que acendeu os alarmes sobre a segurança de Israel, já que este é um dos sistemas de defesa mais sofisticados da entidade sionista. Deve-se notar que o lançamento de mísseis sírios respondeu a um ataque anterior de Israel nas proximidades de Damasco no dia anterior.

Além disso, deve-se destacar que no dia 20 de abril passado houve uma grande explosão na empresa de defesa Tomer que fabrica sistemas de propulsão para uma variedade de foguetes e mísseis. A explosão lançou uma enorme coluna de fogo e fumaça na cidade central israelense de Ramle.

A empresa afirmou que era o resultado de um teste controlado, apesar das pistas de que poderia ter sido o produto de uma sabotagem iraniana em resposta à recente explosão perto da instalação nuclear iraniana de Natanz. Não se pode ignorar que isto está ocorrendo no contexto das negociações em Viena para o retorno ao acordo nuclear.

Por outro lado, em relação ao míssil disparado da Síria, o jornal britânico The Independent destacou a vulnerabilidade do sistema de defesa israelense em um artigo intitulado “Uma região à beira do conflito” enfatizou que o míssil atravessou o céu israelense sem ser interceptado pelo sistema de defesa, em certo momento sugerindo o desenvolvimento militar do eixo de resistência e em outro a ineficácia do sistema Iron Dome.

Segundo o diretor do centro de pesquisa sírio Al Ittihad, Hadi Gobaisi, os mísseis utilizados na Síria, assim como em outros países como o Irã e o Iêmen contam com desenvolvimento em termos de capacidade explosiva, além da eficácia ao provar ser imperceptíveis para o sistema de defesa israelense.

A pergunta que muitos analistas fazem é se Israel pode encontrar o mesmo destino que a Arábia Saudita, já que, longe de desistir diante dos constantes bombardeios, a resistência iemenita está mostrando que a Arábia Saudita está perdendo a batalha.

O eixo da resistência e desenvolvimento armamentista

Quando falamos do eixo de resistência estamos nos referindo aos movimentos de resistência armada espalhados pela Ásia Ocidental que incluem Irã, Iraque, Síria, Líbano, Iêmen e Palestina.

Em declarações recentes à imprensa americana, o General do Comando Central dos EUA, Cetcom, Frank Macenzie, disse que o desenvolvimento de mísseis no Irã é significativo e foi alcançado em um curto período de tempo.

Deve-se levar em conta que ela data de 1985, quando a Guarda Revolucionária oficializou a força aeroespacial encarregada de desenvolver e fabricar mísseis de curto, médio e longo alcance.

A relação do Irã com outros grupos de resistência como o Ansarullah no Iêmen, que recentemente revelou novos drones fabricados internamente para se defender contra o bombardeio saudita, não pode ser desconsiderada. De fato, esta semana as forças iemenitas realizaram ataques defensivos contra a base do  saudita Rey Khalid com drones Qasef 2k de fabricação nacional.

No Iraque, as forças de resistência Hajj al Shabi estão demonstrando sua força em termos de ataque terrestre defensivo contra as forças dos EUA no centro e norte do Iraque como resultado do fracasso dos EUA em retirar suas tropas do país.
Neste caso, deve-se notar que um relatório recente do Washington Post descobriu que o atual líder do grupo terrorista Daesh (Isis) era um espião dos EUA. Esta revelação se soma àquela já feita pela ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que havia reconhecido que os grupos terroristas foram criação do governo dos EUA durante o século passado.

Por sua vez no Líbano, Israel tem seu principal oponente no sul do país árabe, o movimento de resistência do Hezbollah que tem uma relação direta com os outros grupos armados de resistência, que juntos estão enfrentando os interesses americanos e israelenses na região e ainda não podem ser repelidos por eles.

O curioso sobre estes movimentos é que eles são diferentes dos movimentos de resistência armada que são conhecidos no Ocidente porque têm como eixo central a cosmovisão Hussaini, que está relacionada com a história dos acontecimentos de Karbala, narrada por Zainab, a filha de Ali, genro do profeta Maomé.

Através destes eventos nos quais Hussein e sua família enfrentaram o governante opressivo da época, Yazid, formou-se uma tradição que engloba uma visão filosófica do mundo da luta armada defensiva contra as potências opressivas, neste caso Israel e os Estados Unidos, que são os constantes violadores dos direitos humanos, da soberania e do direito internacional.

Estes movimentos têm em comum com outros movimentos armados que têm uma inclinação anti-imperialista, mas com a abordagem Huseini.

Israel e o contexto político interno

Deve-se notar que o ataque defensivo sírio contra as instalações de Dimona ocorreu em um contexto muito particular, já que a entidade sionista está passando por uma crise política devido à falta de legitimidade para formar um governo.

Lembremos que no dia 23 de março passado foram realizadas eleições em Israel e devido a seu sistema político é necessário criar legitimidade entre os diferentes partidos para formar um governo, mas o descontentamento interno entre as diferentes facções políticas em torno de Netanyahu ainda não permite alcançá-lo.

De acordo com o jornal israelense Haaretz, tanto Benny Grantz quanto Naftali Bennet estão procurando formar um governo, mas Netanyahu está sendo deixado de fora e o fato de Dimona estar jogando contra ele. Além disso, a relação de Biden com Netanyahu não é a mesma que tinnha com Trump.

De fato, após o bombardeio do navio iraniano no Mar Vermelho no início de abril, a administração Biden declarou que não tinha nenhum envolvimento nesse ataque, deixando claro que tinha sido realizado por Tel Aviv.

Por outro lado, deve-se notar que no próximo dia 22 de maio serão realizadas eleições parlamentares na Palestina, que poderão ser realizadas após um acordo entre os diferentes movimentos de resistência e o OLP em janeiro deste ano, o que é considerado histórico e perigoso para Israel, pois mostra a união dos diferentes grupos palestinos.

Por outro lado, os movimentos israelenses de ultra-direita aproveitaram esses primeiros dias do mês do Ramadã para gerar ataques contra os palestinos muçulmanos que tentaram comparecer à Mesquita Al Aqsa para realizar suas orações.

Após a escalada da agressão pelo exército israelense, o porta-voz do movimento Hamas, Fawzi Borhoum, disse que a Resistência Palestina estava pronta para responder a qualquer agressão.

“A nação palestina e a resistência, juntamente com os palestinos em Jerusalém ocupada, estão lutando contra o regime de ocupação para defender a Mesquita de al-Aqsa”, acrescentou Borhoum.

Como resultado do aumento da agressão contra os palestinos, a resistência respondeu com 30 mísseis lançados da Faixa de Gaza.

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Valeria Rodríguez é analista internacional e co-apresentadora do programa “Feas, Sucias y Malas” da Rádio Gráfica, de Buenos Aires, Argentina

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