Estados Unidos organizam uma Revolução Colorida em Cuba para 15 de novembro | Alan Macleod

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Por Alan Macleod

O governo dos Estados Unidos está desempenhando um papel fundamental na organização, promoção e ampliação dos próximos protestos nacionais em Cuba, planejados para 15 de novembro.

Quando questionado diretamente em uma entrevista coletiva sobre se os Estados Unidos estão diretamente envolvidos no planejamento da derrubada do governo cubano, o porta-voz do Departamento de Estado Ned Price se recusou a negar, ao invés disso, deu duas vezes longas declarações sobre o quanto os EUA apóiam as exigências dos protestos – respostas que leitores céticos poderiam considerar equivalentes a um “sim”. “Os Estados Unidos continuam profundamente comprometidos com a luta do povo cubano para escolher livremente sua liderança e seu futuro”, acrescentou Price mais tarde em um comunicado de imprensa.

Uma semana depois, o secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Juan Gonzalez, foi ainda mais longe, anunciando que o governo dos EUA sancionaria Cuba se tentasse interferir com os protestos. “Estamos totalmente comprometidos em apoiar, manter e fortalecer a voz do povo cubano que quer uma mudança”, acrescentou.

Outras autoridades americanas têm feito uma enxurrada de declarações em apoio às próximas manifestações.

“Os EUA compartilham a visão do povo cubano: democracia, prosperidade e direitos humanos. Apoiamos seu direito de se reunirem pacificamente em 15 de novembro e conclamamos o governo cubano a permitir a livre expressão e ouvir o povo. Suas vozes não podem ser silenciadas”, escreveu Brian A. Nichols, secretário assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental.

Como informou a MintPress no mês passado, os protestos foram originalmente planejados para 20 de novembro. Entretanto, a recusa do governo em conceder permissão legal para eles, juntamente com os contra-protestos da esquerda, levaram o movimento a antecipar o evento em cinco dias.

Fóruns virtuais anti-governo – como o grupo privado do Facebook que desencadeou as manifestações de julho que chamaram a atenção da mídia mundial – estão ansiosamente colocando o movimento como mais uma oportunidade para pressionar, ou mesmo derrubar, o governo de Miguel Diaz Canel.

Entretanto, fontes com as quais a MintPress conversou dentro de Cuba sugeriram que a própria espontaneidade dos protestos de julho teria sido a chave para seu sucesso, e que avisar as autoridades cubanas com semanas de antecedência foi uma ideia autodestrutiva, permitindo que as forças do Governo neutralizassem muitos dos líderes do movimento muito antes de qualquer coisa começar.

A “espontaneidade” organizada

Os protestos de julho foram os maiores e mais significativos na ilha desde os anos 90. No entanto, embora tenham atraído a atenção da mídia e o apoio de celebridades, políticos e até mesmo do presidente dos Estados Unidos, rapidamente se esvaziaram. Embora apresentados como uma revolta espontânea contra a opressão,  foram na verdade organizados em um fórum controlado pela comunidade cubano-americana na Flórida. O governo dos Estados Unidos apoiou abertamente os protestos em julho. Desta vez, no entanto, está apoiando mesmo antes de terem começado.

O que está sendo tentado parece ser uma revolução colorida ao estilo cubano – uma tentativa de mudança de regime liderada pelos cidadãos, apoiada pelo Ocidente. Talvez a revolução colorida mais proeminente tenha sido a série de protestos que derrubaram o presidente sérvio Slobodan Milosevic em 2000. Os manifestantes usaram táticas não-violentas para inundar as ruas com pessoas para derrubar o governo. Mais tarde, revelou-se que o grupo creditado como organizador do evento, o OTPOR, estava na folha de pagamento do governo dos Estados Unidos. Desde então, o grupo tem sido usado pelos EUA para treinar ativistas em todo o mundo em como derrubar governos os quais Washington não aprova.

À primeira vista, a posição da administração Biden sobre Cuba parece ser uma mudança de 180 graus em relação à de Barack Obama, que avançou em direção à normalização das relações com a ilha caribenha. Entretanto, Obama foi essencialmente forçado a fazê-lo pela oposição unida em toda a América Latina, que ameaçou expulsar os EUA dos órgãos regionais se não seguisse esse rumo. Dez anos mais tarde, muitos desses governos independentes foram derrubados (muitas vezes com a ajuda de Washington). É neste contexto que a continuação de Biden das sanções da era Trump faz mais sentido. As sanções têm sido continuamente declaradas ilegais pela ONU, que, em 2014, estimou que teriam causado um prejuízo de 1,1 trilhões de dólares.

Permanece em aberto a questão sobre qual será o sucesso da próxima ação contra o governo cubano. Mas sobre quem está por trás dos protestos não há mais nenhuma dúvida.

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Alan Macleod é jornalista da MintPress News e escreveu livros como “Twenty Years of Fake News and Misreporting” e “Propaganda in the Information Age: Still Manufacturing Consent”

Originalmente em MintPress News

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