Follow the money: Qatar acusado em Londres por financiar o terrorismo | Steven Sahiounie

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Por Steven Sahiounie

Um processo judicial tramita na divisão comercial do Supremo Tribunal do Reino Unido, em Londres, alegando que o Qatar canalizou dinheiro para uma afiliada da Al Qaeda na Síria, a Jibhat al-Nusra.  O Banco Nacional do Qatar e o Doha Bank são acusados de facilitar as transações.  O Reino Unido e o Qatar são aliados próximos, e o Doha Bank mantém negócios em Londres.

Nove sírios anônimos apresentaram queixa por danos contra dois bancos do Catar, múltiplas instituições de caridade, empresários, políticos, funcionários públicos e outros réus, alegando que o escritório privado do estado monarca do Golfo era fundamental para um esquema de transferências ilícitas de dinheiro para a Jibhat al-Nusra. Os acusados alegam danos por perdas financeiras, tortura, detenção arbitrária e ameaças de execução pela al-Nusra. Matthew Jury, o sócio-gerente da McCue & Partners, disse: “A justiça britânica é invejada pelo resto do mundo, um refúgio para as vítimas para responsabilizar perpetradores de crimes internacionais e devemos assegurar que assim permaneça”.

O caso sustenta que a conspiração inclui a Irmandade Muçulmana, reuniões na Turquia e lavagem de dinheiro. Os réus incluem Hamad bin Jassim al-Thani, ex-primeiro ministro do Qatar, e Abdulhadi Mana al-Hajri, o proprietário do hotel Ritz em Londres.

Em novembro de 2020, alegações de obstrução de justiça surgiram em Londres no caso contra o Doha Bank. O advogado sênior Ben Emmerson, que representa quatro dos requerentes, disse ao Supremo Tribunal que a interferência  na justiça incluía “assédio, intimidação, pressão, vigilância ilegal encoberta no exterior, ameaças de visitas de homens armados e mascarados durante a noite, tentativas de suborno e incitamento criminoso”. A unidade contra-terrorismo da Polícia Metropolitana de Londres investigou as acusações.

Em agosto de 2020, uma transcrição do tribunal revelada pelo site Nordic Monitor revelou que o Brigadeiro-General Semih Terzi da Turquia foi morto por ordem direta do Tenente General Zekai Aksakalli, o então chefe do Comando das Forças Especiais da Turquia.

A transcrição do tribunal contendo o testemunho do coronel Firat Alakus, da seção de inteligência do Comando das Forças Especiais, revelou que Terzi descobriu a transferência ilegal de fundos do Qatar para os jihadistas na Síria.  Em uma audiência no 17º Tribunal Penal Superior em Ancara, em março de 2019, Alakus testemunhou que o Qatar estava envolvido na conspiração contra o governo sírio, e os fundos foram canalizados para apoiar os terroristas depois de terem sido transferidos para a Turquia.

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“Terzi sabia quanto do financiamento entregue à Turquia pelo Qatar com o objetivo de comprar armas e munições para a oposição foi realmente utilizado para isso e quanto dele foi realmente utilizado por funcionários públicos, desviado”, disse Alakus.

Em 2013, o Financial Times relatou que o Catar havia gasto até 3 bilhões de dólares para bancar grupos de oposição na Síria. A Jibhat al-Nusra está listado pela ONU, EUA e União Européia como um grupo terrorista; no entanto, tornou-se o grupo armado mais forte no terreno lutando pela “mudança de regime” na Síria. A mídia ocidental continua a se referir erroneamente a Jibhat al-Nusra como “rebeldes”, pois ocupam hoje Idlib e mantêm cerca de três milhões de civis como escudos humanos.

Em 2017, vários países árabes impuseram um bloqueio terrestre contra o Qatar e cortaram relações citando o apoio do país ao terrorismo.

David Cameron, ex-Primeiro Ministro do Reino Unido, apoiou plenamente o projeto de “mudança de regime” de EUA e OTAN na Síria, concebido para remover um presidente secular e substituí-lo por um fantoche da Irmandade Muçulmana que estaria de acordo com o Ocidente, e Israel.

As recentes reportagens da mídia sobre o caso acusando o Qatar usam o termo “secreto” para descrever o desvio de dinheiro para financiar terroristas na Síria, mas nunca foi secreto, e todos que foram vítimas do terrorismo na Síria estavam bem cientes de que o dinheiro vinha do Qatar através da Turquia, que serviu como base de operações para os terroristas.

A Turquia era o local físico, o Qatar fornecia o financiamento, mas era o escritório da Agência Central de Inteligência dos EUA no sul da Turquia que coordenava o armamento, treinamento, imagens de satélite e logística para os terroristas na Síria.  As armas foram enviadas da Líbia para a Turquia por meio das “Rat Line” de Hillary Clinton e entregues aos terroristas. A Turquia usou caminhões militares para transportar armas através da fronteira para Idlib, e em um caso, um repórter americano testemunhou um caminhão da ONU carregando armas e terroristas atravessando a fronteira.  Serena Shim foi morta logo após sua reportagem.

Em uma entrevista de 2017, Hamad bin Jassim bin Jaber al-Thani, admitiu que o Qatar forneceu apoio financeiro aos terroristas, mas explicou que o dinheiro foi fornecido a mando dos EUA.  A defesa de Jassim aponta para o ex-presidente americano Obama, que foi o co-arquiteto da guerra contra a Síria, ao lado do ex-presidente francês Nicholas Sarkozy.

“Tudo o que acontecia, passava pela Turquia e era coordenado com as forças dos EUA”, explicou al-Thani na TV Qatari, acrescentando, “toda a distribuição era feita através dos EUA e dos turcos, de nós e de todos os que estavam envolvidos, os militares”. Ele havia anteriormente expressado admissões semelhantes em uma entrevista com o jornalista americano Charlie Rose.

O Qatar é a sede da base aérea al-Udeid, recebendo cerca de 11 mil soldados americanos, a tornando a maior base militar dos EUA em toda a região.

O Islã radical é uma ideologia política, e todos os terroristas e os chamados “rebeldes” estavam seguindo o Islã Radical.  Macron afirma agora que a França está em guerra com o Islã Radical depois de ter sofrido muitos ataques terroristas em solo francês.  Entretanto, Sarkozy, Obama e Cameron apoiaram intencionalmente os terroristas na Síria por sua estreita agenda política, para efetuar uma “mudança de regime”.  Um ataque terrorista devastador envolvendo vidas inocentes perdidas em Paris é uma tragédia, mas o mesmo ataque multiplicado 100 vezes em Damasco é justificado.  Qatar, Turquia, EUA, União Europeia e Reino Unido têm sangue nas mãos.

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Steven Sahiounie, jornalista e comentarista político premiado, residente na Síria

Originalmente em mideastdiscourse.com

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