Governo israelense muda, para que tudo permaneça igual | Philip Giraldi

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Por Philip Giraldi

Israel está passando por uma mudança em sua administração, com o primeiro-ministro linha dura Benjamin Netanyahu sendo substituído pelo nacionalista extremo Naftali Bennett. Bennett tem privado regularmente os cidadãos israelenses não judeus de seus direitos e beneficiado a limpeza étnica de todos os não judeus da Palestina histórica, os eliminando se necessário. Ele se opõe à criação de qualquer Estado palestino e rotineiramente descreve os manifestantes palestinos como terroristas, ao mesmo tempo em que declara sua crença de que devem ser fuzilados. Ele também se gabou de ter atirado em palestinos durante seu serviço militar, dizendo em certo momento: “Já matei muitos árabes em minha vida, e não há absolutamente nenhum problema com isso”. Esteve fortemente envolvido na “Operação Vinhas da Ira” no Líbano nos anos 1980, onde sua unidade de comando matou inúmeros civis, e tem prazer em recontar sua participação nos crimes de guerra de Israel.

Tudo isso significa que o brutal reinado de terror de Netanyahu que tem prevalecido na Cisjordânia, em Gaza e também na própria Jerusalém não dará descanso. A pressão sobre os árabes para forçá-los a partir irá se intensificar. A evidência de que o recente cessar-fogo negociado não foi mais que uma pausa no plano para mitigar a pressão internacional antes de continuar a limpeza da Palestina já está visível. A polícia e as unidades do exército israelense têm prendido centenas de árabes, muitos dos quais cidadãos israelenses, não por terem violado qualquer uma das “regras” impostas pelo governo Netanyahu, mas como medida preventiva para que sejam identificados, permitindo que sejam encarcerados antes da próxima rodada de luta começar. Foram relatadas 1800 prisões desde que os distúrbios começaram em abril, mas o número provavelmente é muito maior. Estima-se que 25% das pessoas detidas são crianças e 85% delas relatam que foram abusadas fisicamente.  Além disso, pelo menos 26 palestinos foram mortos enquanto resistiam. Se afirma que a polícia, constrangida por ser ridicularizada pelos manifestantes palestinos, está “acertando contas”, usando freqüentemente espancamentos brutais durante as prisões e como punição coletiva para romper a resistência árabe.

A polícia israelense também tem estado ativa na mesquita de al-Aqsa e nos arredores, onde tem negado aos muçulmanos o acesso ao local sagrado enquanto promove visitas turísticas dos judeus israelenses. Esta é uma clara violação das regras estabelecidas para o acesso à mesquita e envia um forte sinal aos palestinos de que há mais por vir e a intenção é claramente de que eles serão eventualmente retirados por quaisquer meios necessários da Grande Israel.
O diretor do Centro Jurídico para os Direitos das Minorias Árabes em Israel (ADALAH) Hassan Jabareen observou recentemente como a violência do último mês foi deliberadamente provocada por Israel, tanto para dar margem às perspectivas eleitorais de Netanyahu, quanto “a campanha de prisão maciça anunciada pela polícia israelense… é uma guerra militarizada contra cidadãos palestinos de Israel”. Esta é uma guerra contra manifestantes palestinos, ativistas políticos e menores, empregando forças policiais israelenses maciças para invadir as casas de cidadãos palestinos”.

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Os israelenses, que claramente têm senso de humor, chamaram a primeira fase das prisões em massa de “Operação Lei e Ordem”. As próprias batidas foram realizadas dentro de Israel e na Cisjordânia. Os palestinos que são cidadãos de Israel têm o que tem sido frequentemente descrito como “direitos de segunda classe” no sistema judicial do país. Embora Israel reivindique que seus cidadãos árabes – cerca de 20% da população – têm igualdade perante a lei, até mesmo o Departamento de Estado americano pró-Israel acusou repetidamente Israel de praticar “discriminação institucional e social” para com seus cidadãos árabes.

Como conseqüência, os palestinos presos são indiciados, acusados e, em alguns casos, detidos por tempo indeterminado sob a legislação existente de estado de emergência e anti-terrorismo. Uma acusação comum é o “incitamento” que requer pouco ou nada em termos de provas. Muitos dos palestinos presos foram de fato libertados após o pagamento de fianças exorbitantes, com uma média de cerca de US$ 1.000. Um ativista palestino teria pago 7.400 dólares para ser libertado.

Deve-se notar que os colonos judeus armados que se rebelaram de sua liderança na luta do mês passado, destruindo casas palestinas e outros bens, não foram identificados e detidos pelas autoridades israelenses. O ativista Remi Kanazi observa como “o apartheid dentro de Israel é quando multidões judaicas israelenses cantam ‘Morte aos árabes’ e brutalizam palestinos em seus bairros, enquanto os policiais nada fazem, apenas para que esses mesmos policiais realizem prisões em massa dos cidadãos palestinos duas semanas depois”.

Fora de Israel, outros palestinos, que são cidadãos da Autoridade Palestina ou que têm documentação das Nações Unidas, não têm nenhum direito sob a lei israelense e estão sendo detidos em muitos casos, por tempo indefinido, sem qualquer acesso a aconselhamento jurídico ou a membros de sua família. A maioria não estava fazendo nada de ilegal, mesmo pelos padrões israelenses, quando foram presos.  Foram culpabilizados por serem palestinos.

Em um exemplo de como o processo funciona, o conhecido ativista palestino Iyad Burnat, que já havia sido preso aos 17 anos de idade e encarcerado por dois anos por ter jogado pedras em soldados israelenses, virou alvo novamente. Ele vive em Bil’in na Cisjordânia e teve seus dois filhos raptados de sua casa em recentes invasões noturnas pelas forças de segurança israelenses. Abdul Khaliq, 21 anos, foi levado em 17 de maio e Mohammed, 19 anos, foi raptado em 24 de maio. Eles estão detidos no centro de detenção de Almasqubia em Jerusalém e lhes foi negado qualquer contato com seus pais ou a um advogado. As autoridades israelenses não forneceram nenhuma explicação sobre o motivo de terem sido presos.

Em outro exemplo recente da brutalidade da polícia israelense, a al-Jazeera relata em detalhes como Mohammed Saadi, de treze anos, foi sequestrado, vendado, espancado e ameaçado com uma arma apontada à sua cabeça por cinco policiais disfarçados em sua cidade natal de Umm al-Fahem. Saadi estava entre os milhares que se reuniram para uma procissão fúnebre por Mohammed Kiwan, um garoto de 17 anos que havia sido baleado e morto pela polícia israelense uma semana antes.

Ativistas palestinos observam que a repressão israelense tem se mostrado contraproducente. A maioria dos palestinos agora entende que os israelenses pretendem exterminá-los. Um observador nota que “A barreira do medo foi quebrada. As forças israelenses estão enfrentando um povo que não tem mais nada a perder”. Os jovens em Jerusalém não vêem que eles têm um futuro pelo qual esperar, devido a fatores socioeconômicos que são resultado ou exacerbados pelas políticas de ocupação”. Estas pessoas estão defendendo seu direito de existir, suas casas e sua pátria, e se não fosse por sua resistência, os colonos judeus teriam tomado o controle de muitos lugares em Jerusalém”.

Claramente, a administração Joe Biden não fará nada mesmo que o governo israelense prenda e torture cem mil árabes, mas há um sentimento crescente mesmo no Congresso e na mídia controlada pelos sionistas de que “o que é errado é errado”. A congressista Betty McCollum’s apresentou duas vezes um projeto de lei, que está definhando no comitê do Congresso, que pede aos Estados Unidos que bloqueiem a ajuda a Israel que pode ser percebida como sendo usada para prender, espancar e encarcerar crianças. Sua legislação, a Lei de Promoção dos Direitos Humanos para Crianças Palestinas que Vivem Sob Ocupação Militar IsraelenseH.R. 2407, altera uma disposição da Lei de Assistência Externa conhecida como a “Lei Leahy” para proibir o financiamento da detenção militar de crianças em qualquer país, incluindo Israel.

McCollum argumenta que cerca de 10 mil crianças palestinas foram detidas pelas forças de segurança israelenses e processadas no sistema de tribunais militares israelenses desde 2000. Essas crianças entre 11 e 15 anos de idade foram às vezes torturadas usando estrangulamentos, espancamentos e interrogatórios coercivos. Em setembro de 2020, estimava-se que 157 crianças ainda estivessem detidas em prisões israelenses, número que certamente aumentou drasticamente dada a atual repressão por parte da polícia e do exército. Embora a Presidente da Câmara Nancy Pelosi certamente bloqueie qualquer tentativa de deixar o projeto de lei de McCollum ver a luz do dia, pode-se ao menos honrar a Congressista pelo que está tentando fazer e esperar que algum dia o governo dos Estados Unidos finalmente aja honradamente e ajude a proporcionar liberdade e justiça para os palestinos que muito sofrem.

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Philip M. Giraldi, é Ph.D. Diretor Executivo do Council for the National Interest (EUA)

Originalmente em Information Clearing House

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