Azerbaijão pode vir a desempenhar um papel central na integração eurasiática | Andrew Korybko

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Por Andrew Korybko

Observadores também devem prestar atenção à intenção declarada das duas Grandes Potências de sincronizar seus respectivos esforços de integração eurasiática, a qual foi acordada entre seus chefes de Estado.

A convergência gradual da GEP (Grande Parceria Eurasiática) e da ICR (Iniciativa Cinturão e Rota) estabilizará a Eurásia e muito provavelmente ocorrerá primeiro na Ásia Central antes de se espalhar pelo resto do supercontinente. É aqui que o Azerbaijão pode aproveitar essas tendências como resultado de sua vitória no conflito do ano passado. A Ásia Central é geo-estrategicamente significativa no sentido mais amplo da integração eurasiática porque se situa entre a Ásia Oriental, Europa Oriental, Sibéria, Sul da Ásia, Sul do Cáucaso e Ásia Ocidental. Com a inevitável consolidação dos esforços complementares de conectividade russos e chineses ali, é natural que este processo se transforme em direção ao Cáucaso Meridional. Afinal, estas duas regiões já estão economicamente conectadas através de rotas comerciais transcaspianas entre o Azerbaijão, o Cazaquistão e o Turcomenistão. Além disso, a Rússia e a China também têm interesse em replicar seus vislumbrados sucessos de conectividade na Ásia Central, no Cáucaso Meridional, a fim de conectar mais estreitamente aquela região com a Europa Oriental e a Ásia Ocidental.

Lenta mas seguramente, o conceito geoestratégico da região central do Cáucaso Eurasiático está se expandindo de seu antigo entendimento de somente se referir à Ásia Central para incluir também o Cáucaso Meridional nos dias de hoje. Em outras palavras, a vitória do Azerbaijão sobre a Armênia no ano passado e o conseqüente desbloqueio das ligações econômicas e de transporte regionais levará a que o Cáucaso Meridional se torne tão importante geoestrategicamente para o resto do supercontinente quanto a Ásia Central, à qual estará mais estreitamente ligado devido à expansão gradual dos projetos de integração russos e chineses coordenados  através de todo o Cáspio. Em suma, isto levará eventualmente à criação de um espaço econômico eurasiático muito mais consolidado com o tempo.

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 Também é importante lembrar que o Azerbaijão é membro da Organização de Cooperação Econômica (ECO), uma plataforma de integração regional que lamentavelmente não recebe muita atenção dos observadores. Mas isso pode mudar em breve à medida que as iniciativas conjuntas de conectividade russo-chinesas na Ásia Central começarem a tomar forma no Cáucaso Meridional, após a inevitável ligação destas duas regiões estratégicas. Isto melhorará a importância da ECO, talvez a tornando um ator mais significativo nestes processos de integração supercontinental. Com isso em mente, a ECO poderia coordenar mais estreitamente com a Organização de Cooperação de Xangai (SCO) com a qual compartilha muitos de seus membros oficiais, observadores e parceiros.

A maior tendência sobre o que ocorre é que a China está expandindo sua influência para o oeste em toda a Ásia Central e logo no Cáucaso do Sul, enquanto a Rússia está se movendo para o sul em direção aos estados de maioria muçulmana através do que alguns podem descrever como seu denominado “Ummah Pivot” dos últimos anos. Isto está ocorrendo enquanto os EUA estão reequilibrando seu foco da Ásia Ocidental para a Ásia Oriental via Ásia Meridional. A atenção das três Grandes Potências está, portanto, convergindo para a Ásia Central e no Cáucaso do Sul, tornando, assim, estas regiões triplamente estratégicas. Embora alguns possam prever que isso tenda a transformá-las em centros de rivalidade entre esses três Estados, a hábil prática da diplomacia econômica pelo Azerbaijão e outros pode muito bem reduzir esses riscos e acabar em resultados mutuamente benéficos para todos.

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Andrew Korybko é Analista político norte-americano radicado na Rússia. Especialista no relacionamento entre a estratégia dos EUA na Afro-Eurásia; a visão global da conectividade da Nova Rota da Seda e em Guerra Híbrida

Originalmente em OneWorld.press

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