O naufrágio iminente | Fabio Sobral

0

Por Fabio Sobral

O neoliberalismo afunda mundo afora. Começou a fazer água em 2007-8, na grande crise financeira. Ali a salvação foi dada somente aos bancos e às corporações e suas ações negociadas em bolsa.

A pandemia trouxe um avanço dos furos que ameaçam o seu naufrágio. A queda do PIB das economias afetadas mais duramente foi estrondosa. Segundo o FMI, foi a maior queda desde os anos 1930.

Há ainda outros elementos, como a economia chinesa que ultrapassará a americana em 2027, segundo o banco JP Morgan. Fortes investimentos estatais e distribuição de renda são as ferramentas da China. Em 2030 72% da sua população estará na classe média. Mais de um bilhão de pessoas.

Os Estados Unidos querem deter a perda de posto de império central.

E como estão reagindo? Com medidas impensáveis há alguns anos, tais como um imenso programa de estímulo à economia produtiva financiado com maior tributação de grandes empresas e dos mais ricos. Verdadeiras heresias para a maior parte dos economistas formados em acreditar que o razoável é não intervenção do Estado e promover concentração de renda.

Aliás, a gigantesca maioria dos economistas continua a raciocinar no credo dogmático neoliberal. Porém, eis que o mundo mudou. O capitalismo depende de programas estatais de investimento para sobreviver. Isso mesmo, é o único caminho para a sobrevivência do capital.

Alguns países de capitalismo dominante correm para alternativas aplicadas no pós Segunda Guerra. Em alguns deles há uma mistura de defesa do neoliberalismo e medidas de estímulo à economia. A França de Macron é um exemplo de tentativa de servir a dois senhores. O governo Trump foi também.

Joe Biden percebeu que não há mais meio-termo. Ou adota mudanças profundas da gestão econômica ou o colapso seria iminente. Vai elevar a taxação de ricos e de grandes empresas. Além disso, estimulará pequenos negócios, aumentará o tempo do seguro desemprego, distribuirá cheques de auxílio às famílias mais pobres, mudará a matriz energética fóssil por uma mais limpa, recuperará infraestruturas, aumentará o financiamento à educação e construirá moradias.

É possível impedir o naufrágio ou já será tarde demais?

***

Fábio Sobral é membro do Conselho editorial de A Comuna e professor de Economia Ecológica (UFC)

Originalmente em Diário do Nordeste

O naufrágio iminente | Fabio Sobral 1

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui