Qual a probabilidade de uma III Guerra Nuclear entre EUA e China? | Eric Zuesse

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Por Eric Zuesse

Enquanto os eleitores americanos não querem que o governo dos Estados Unidos vá à Terceira Guerra Mundial contra a Rússia por causa da Ucrânia, desejam que vá à Terceira Guerra contra a China por conta de Taiwan.

Uma pesquisa nos EUA, “Conduzida entre 12 e 14/01//22”, pelo Grupo Trafalgar, pesquisando “1081 entrevistados” que seriam “Prováveis eleitores gerais” descobriu que 58,1% disseram “Sim”, e 41,9% disseram “Não”, para  a pergunta: “Você acredita que a Administração Biden deveria usar os recursos militares dos EUA para defender Taiwan se for invadida pela China”? Porcentagens muito mais baixas de americanos se mostraram favoráveis a uma guerra contra a Rússia por causa da Ucrânia.

Nancy Pelosi, que lidera os democratas na Câmara dos Deputados dos EUA, deixou claro que deseja visitar Taiwan em agosto, para incentivar os líderes do local a declarar a independência de Taiwan em relação à China, algo que o governo dos EUA nunca apoiou publicamente e que , desde o acordo EUA-China de 28 de fevereiro de 1972 chamado de “Comunicado de Xangai”, o governo dos EUA se opôs pública e formalmente quando acordou com a China a promessa e o compromisso de que “os Estados Unidos reconhecem que “todos os chineses de ambos os lados do Estreito de Taiwan sustentam que existe apenas uma China e que Taiwan é uma parte da China”.

Os residentes de Taiwan foram por muito tempo favoráveis a reconhecer publicamente que Taiwan é parte da China, mas a CIA e outras agências do governo dos EUA têm trabalhado durante décadas – não obstante o Comunicado de Xangai e outros em contrário à independência de Taiwan – para reverter o fato de Taiwan ser uma parte da China e, ao invés disso, encorajar os taiwaneses a temer e se opor (até mesmo demonizar) o governo da China. Estes esforços de guerra do governo dos EUA tiveram um sucesso esmagador entre os residentes de Taiwan.

Consequentemente, em 29 de março de 2005, Taiwan emitiu “A Posição Oficial da República da China (Taiwan) sobre a Lei Anti-Secessão (Anti-Separação) da República Popular da China”, e anunciou publicamente ao mundo que Taiwan rejeita essa lei chinesa, pois “a lei proclama que ‘Taiwan é parte da China'”.

O Presidente dos EUA Harry S. Truman criou a CIA em 1947 para perpetrar golpes e outras mudanças de regime para que o governo dos EUA pudesse tomar o controle do mundo sem necessariamente usar suas forças armadas para suas conquistas (fazendo-o mais por subversão, contratando mercenários e subornando generais). Seu primeiro golpe foi em 1948 na Tailândia (então chamada “Birmânia”) a fim de estabelecer um fluxo constante de financiamento extra-oficial para seus subornos e “Operações Especiais”, incluindo futuros golpes, e este primeiro contou com as forças fascistas (ou “Might make right”) Guomindang (GMD) ou Kuomintang (KMT), que tinha fugido das forças vitoriosas anti-japonesas  de Mao na China continental, para a ilha chinesa de Formosa (cujos governantes japoneses acolheram os fascistas chineses) e formaram ali a “República da China”, como um protetorado americano. O KMT também possuía um exército que tinha fugido para a Birmânia; e este exército ajudou a CIA crucialmente a derrubar e substituir o governo da Birmânia em 1948 para estabelecer o fluxo de financiamento da Agência a partir do tráfico internacional de ópio, que, naquela época, estava centrado na Birmânia. Consequentemente, a CIA fez uma parceria com o KMT logo no início.

Em 27 de junho de 1950, Truman anunciou que a 7ª Frota dos EUA estaria protegendo Taiwan, de modo que os EUA, claramente hostis à China (aliada da Segunda Guerra Mundial dos EUA), estariam fornecendo proteção de segurança nacional ao povo de Taiwan. Essa política tem sido muito bem sucedida na conquista da China, mas apenas gradualmente, e agora está sendo levada ao ponto de ebulição.

Se Taiwan fizer qualquer tentativa de declarar publicamente que não faz parte da China, então a China a invadirá, a fim de impor o que sempre afirmaram consistentemente sobre Taiwan (que é uma parte da China). E, então, o governo dos EUA dirá que a invasão da China não é “uma solução pacífica da questão de Taiwan pelos próprios chineses”, e entrará em guerra contra a China, culpando o governo chinês por esta guerra que o governo americano está preparando (montando) há décadas.

Começando apenas no final do século 20, o governo dos Estados Unidos começou a pressionar mais firmemente para separar Taiwan da China. Consequentemente, a Universidade Nacional Chengchi de Taiwan instituiu em 1994 uma pesquisa anual sobre uma série de opções políticas em relação ao caminho a seguir em relação ao status de Taiwan. Na época, a opção mais popular, apoiada por 38,5% dos residentes, era “Manter o status quo, e decidir em data posterior”. Uma opção política diferente, “Manter o status quo, avançar em direção à independência”, foi apoiada por apenas 8,0%. Entretanto, a partir de junho de 2022, essas duas porcentagens ficaram praticamente empatadas em cerca de 28,5% para cada uma, que agora estão empatadas como sendo as duas principais opções de política. Portanto, aparentemente, este poderia ser o momento de atacar.

Talvez Pelosi esteja esperando mover o ponteiro um pouco mais na direção da América, voando agora para Taiwan, sob uma armada americana, e assim provocando uma guerra contra a China, tanto por parte de Taiwan como dos Estados Unidos. Isso ligaria americanos e taiwaneses ao mesmo destino. E uma vitória militar dos EUA contra a China faria muito pela fortuna dos democratas nas eleições deste ano. (Em contraste, uma derrota dos EUA não mudaria muito as perspectivas políticas dos dois partidos, porque nenhum dos partidos poderia então se vangloriar da “nossa vitória”).

Em 29 de julho, a senadora estadunidense Marsha Blackburn destacou que  “Colegas Apresentam Legislação Autorizando o Empréstimo de Defesa a Taiwan” e anunciou:

A Senadora norte-americana Marsha Blackburn, o Senador Rick Scott e a Representante Michelle Steel apresentaram a Lei de Empréstimo de Defesa da Democracia de Taiwan. Esta legislação apoiará a parceria dos Estados Unidos com Taiwan, autorizando programa de empréstimo de defesa ou arrendamento com o Governo taiwanês.

“Taiwan é nosso maior parceiro na região Indo-Pacífico, e sua soberania contínua é essencial para desafiar o Novo Eixo do Mal”, disse a senadora Blackburn. …

“A apresentação deste projeto de lei vem poucos dias depois que o povo de Taiwan teve que participar de mais exercícios de ataque aéreo no caso de um ataque do Partido Comunista Chinês. …

Neste Congresso praticamente 100% neoconservador (ou seja, fascista-imperialista), o projeto poderia passar de forma esmagadora. O neoconservadorismo é praticamente unânime ali.

O governo dos Estados Unidos vem gradualmente rumando em direção a este ponto de ebulição, desde pelo menos 27 de junho de 1950. Talvez este venha a ser o momento da compensação, depois de todas aquelas décadas de subversão, suborno, etc. Parece ser o momento certo, porque o governo dos EUA está agora mais determinado do que nunca a estabelecer a China como sendo mais uma colônia, ou “aliado”, e nada reafirmaria mais a hegemonia global dos EUA do que arrebentar um pedaço da China. Seria a afirmação mais forte até agora, da “ordem internacional baseada em regras” do Governo dos EUA, na qual o Governo norte-americano faz as “regras” internacionais, ao invés de a ONU fazê-las. Esse é realmente o objetivo de tudo isso: estender a hegemonia da América para abranger todas as nações, eliminar toda “competição”. O governo americano tem se preparado para tal oportunidade, desde, realmente, 25 de julho de 1945. Esta poderia ser a maior recompensa, ainda assim, a partir dela, se acontecer. Mas tomar este caminho também poderia desencadear a III Guerra Mundial. O público norte-americano parece aceitar esse risco – não a III Guerra Mundial para manter a Ucrânia, mas a III Guerra Mundial para ganhar Taiwan. Os americanos têm sido habilmente preparados para isso.

Mesmo os “progressistas” americanos aparentemente aceitam o risco. Eles o ‘debatem’. Há idiotas (e enganadores) de todos os tipos ideológicos.

Quanto à história da ilha, e à questão histórica chave, de se a alegação é verdadeira “que Taiwan é uma parte da China”, aqui está um resumo sobre esta história: Taiwan (Formosa) foi fundada quando o Império Japonês foi forçado a abandonar o controle sobre a ilha chinesa Formosa. Truman apoiou as forças fascistas Guomindang (GMD) ou Kuomintang (KMT) que haviam fugido das forças anti-japonesas vitoriosas de Mao na China continental, para a ilha de Formosa e formaram ali a “República da China”, como sendo um protetorado americano. Posteriormente veio a ser chamada de “Taiwan” (que até historiadores japoneses reconhecem ser um nome chinês para a ilha), mas se chamou oficialmente de “República da China”, e NÃO de “República de Taiwan”. Assim, mesmo pela designação oficial e autodesignada de “República da China”, qualquer um que negue que faz parte da China e é “chinês”, está simplesmente, e corajosamente, mentindo, porque até mesmo o KMT (ou GMD) disse que o era. O lado americano (agora substituindo o lado japonês como o pós-WWW-II, fascista, super senhores de Taiwan) tinha perdido a guerra civil na China, mas, desde então, o governo dos EUA tem protegido o lado perdedor na guerra civil da China, que se infiltrou no que na realidade é a província da China de Formosa ou Taiwan. Se e quando a China finalmente retomar o controle da mesma, o nome do lugar poderia mudar para “Formosa”, ou para “província de Formosa”, de modo a significar que a China, e não o Japão, venceu a Segunda Guerra Mundial. Nada deste fascismo na Ásia pós II Guerra Mundial teria ocorrido, de forma alguma, se FDR ao invés de Truman tivesse sido o Presidente da América após a II Guerra Mundial. Truman era um fascista-imperialista, mas FDR era intensamente CONTRA tanto o fascismo quanto o imperialismo. O anticomunismo era apenas a desculpa que os imperialistas fascistas pós II Guerra Mundial deram, para seu imperialismo fascista (golpes de Estado, invasões, subversões, etc., para conquistar o mundo), de modo a enganar seus públicos a acreditarem que vivem em uma “democracia”.

Se houver uma III Guerra Mundial, será por causa da inversão de Truman na política externa de FDR, e NÃO por causa de sua continuidade (o que ele não fez – embora muitos ‘historiadores’ digam que ele fez). O ponto de virada, longe da política externa de FDR, foi em 25 de julho de 1945. Foi isso que fez esta bola de neve rolar por esta montanha fascista-imperialista, da história do mundo, desde então. Foi o que levou Truman a substituir rapidamente toda a equipe de política externa de FDR. Truman foi a catástrofe – não a continuação. No entanto, o Congresso dos EUA, naquela época, foi ainda pior. E ainda é. FDR era a anomalia. E assim era Lincoln, em seu tempo. E assim foi a maioria na Convenção Constitucional dos EUA, que escreveu coletivamente a Constituição anti-imperialista dos EUA, que desde então se tornou apenas um pedaço de papel. O dilúvio aristocrático que se seguiu poderia agora lavar tudo o que tinham conseguido, deixando apenas um oceano de sangue para trás.

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Eric Zuesse é historiador

Originalmente em Orientalreview

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